Os Verdes Pastos de Minhas Emoções


Lá vem os sintomas da doença da emoção através de pensamentos negativos, lá vem os meus bois manhosos...

Nestas horas é importante para mim não perder o contato com o mundo e com as pessoas, pois a doença tenta me jogar sempre para dentro, sempre para os meus internos pastos.

Os pensamentos negativos chegam, como em grandes nuvens, ou melhor, como um grande rebanho de bois manhosos, ansiando tanto por pastos mentais verdejantes; se eu abrir as porteiras de minha fazenda interior, minha mental porteira, acabo então, caindo nas velhas ciladas do grande rebanho, tão faminto por verdes pastos mentais. 

Os bois manhosos vão então, a cada instante, pastando dentro de mim, e quanto mais pastam, mais o inculto capim de meu descontrole emocional cresce, realimentando a doença, realimentando o pasto e engordando os bois.

É um perigoso e doloroso círculo vicioso este pasto verdejante e enganoso. Quando fico muito mal, estou sempre cheio de razões e de bons motivos — motivos para a infelicidade, motivos para a autopiedade, motivos para o sofrimento, motivos para a dor, motivos para o medo... —, para abrir minhas porteiras mentais, franqueando meus pastos para os meus amados bois manhosos. 

Nesta condição de pasto emocional, perco o principal motivo da existência — O motivo de ser feliz —, e aí, como um boi doente, começo a pastar também, e passo a engolir e posteriormente a ruminar o capim do meu desequilíbrio, em meus próprios pastos emocionais interiores. 

Quando o grande rebanho da boiada negativa me visita (e ele me visita), já consigo percebê-lo, e então esforço-me para manter fechada minhas porteiras e vou afugentando para longe cada boi manhoso, afugentando para bem longe: Fora pensamentos negativos, fora bois manhosos, fora daqui, fora... vão pastar em outros pastos... 

Pois o meu pensamento negativo, ou o boi emocional manhoso, com minha porteira aberta, é uma força poderosa, força capaz de derrubar vigorosas cercas e construir verdadeiros mundos de escuridão e dor, mundos cheios de pastos verdejantes de sofrimento solidão e ilusão. 

Se eu deixar entrar um único boi doente, todos os demais bois entram também — porteira que passa um boi passa uma boiada. Então, basta apenas que um dos bois doentes, ou um dos bois descontentes, ou ainda um dos bois indolentes, sutilmente me abrace e me envolva com aquele olhar manso dos bovinos, confundindo-se comigo mesmo, convidando-me a pastar também, e sobretudo, transformando-me em boi manhoso também, algo assim como joio e trigo; neste tão irracional e doentio momento, fica mesmo muito difícil discernir entre o boi manhoso e o homem que busca o equilíbrio de suas emoções; neste crucial instante, quem foi para o brejo não foi a vaca, foi mesmo eu. 

Fora bois manhosos, vão agora pastar em outro lugar, pois minha mente não é pasto para pensamentos ocultos e incultos; minha mente é um verdejante campo, sede de emoções superiores, ou melhor, um posto de encontro com o meu Poder Superior, um posto de reabastecimento do maravilhoso combustível espiritual, que jorra todos os dias das abundantes fontes de amor da vida. 

Posto isto, estou agora fechando a porteira. Fora bois manhosos, fora... existe para cada um de vocês, em abundância, uma enormidade de capim pelos vastos campos do mundo exterior.

Comentários

  1. Amor próprio, na forma de atitude! De vitória em vitória, a guerra é vencida!

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