O Menino da Gaiola Dourada

Era uma vez um menino, que um dia viu uma menina de sorriso leve e acolhedor, e de uma beleza infinita e tão radiante, como um campo de trigo em um dia de sol. 

No momento em que a viu, o menino descobriu que a amava, e que a amaria até o último dia de sua vida. Como era um menino, pegou todo o seu amor, e o guardou carinhosamente, quase com devoção, em uma pequena gaiola dourada dentro do seu coração. 

O menino tornou a encontrar-se com a menina outras vezes, porém, não abria a gaiola com o precioso presente, era preciso esperar um pouco mais, só mais um pouquinho. Até que um dia, alguns anos depois, resolveu que estava na hora de abrir aquela gaiola dourada, com aquele precioso conteúdo, para a dourada menina, sempre tão sorridente e de andar leve e elegante. 

Aconteceu porém, que existia um outro menino, e uma outra gaiola, não sei se dourada, com um também valioso conteúdo. Esta gaiola foi então aberta, pouco antes da chegada do menino da gaiola dourada, e quando este chegou em busca de sua amada, finalmente caiu em si, sua bela havia partido para longe, partido para sempre, voado como um pássaro feliz, a fim de cuidar de sua vida e sonhar os seus sonhos. 

O menino, que na verdade era um sabiá, voltou então voluntariamente e muito triste, para sua própria gaiola dourada de solidão, e finalmente, através de sua profunda perda, descobriu que o amor é como um de seus primos, o pardal, que ama a liberdade, e que jamais pode ser mantido cativo em qualquer lugar, mesmo que este seja uma aconchegante gaiola dourada dentro do coração.


Com o passar do tempo, o menino também passou, assim como passam as horas do dia; contaram os antigos, que existia na frente da casa onde ele viveu, um lindo sabiá preso dentro de uma maravilhosa gaiola dourada. Relataram também, que o seu canto, no final do dia, era tão belo, longo, mavioso e profundo, que mais parecia um canto de amor, saudades e promessas, como estes dos seres enamorados nos dias felizes da primavera da vida.

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