Um Anônimo Na Sala dos 12 Passos

Hoje levei minha criança à sala dos 12 Passos. Houve um tempo em que eu a desconhecia, e isto foi horrível; Houve outro tempo em que eu, pejorativamente a denominava de João Ninguém, e isto foi muito melancólico também; Houve um tempo mais adiante, um tempo fechado, frio e tenebroso, em que eu a chamava de demônio, e isto foi um verdadeiro inferno em minha vida, com direito a  caldeirão e fogo com chamas eternas; Houve finalmente um tempo mais adiante, um tempo  em que eu a chamava de ego, contudo, continuou sendo horrível. 

Nestes tempos de tanto angústia havia somente afastamento do João Ninguém, do demônio, do ego, e sobretudo de mim mesmo, o grande desconhecido.  Nesta era glacial de minha existência, tudo era sofrimento, ignorância, medo, dor, solidão... Agora que finalmente descobri que o ego, ou o demônio, ou ainda o João ninguém é apenas uma criança carente em mim, um Joãozinho, tudo mudou, pois eu sei amar os meninos, por ser um eterno menino também, por mais carentes que eles sejam.

Um dia, um grande doente da alma, quem sabe um demônio, sem dizer uma única palavra, apenas com o vazio inexpressivo do olhar, vaticinou para mim: Você será um João Ninguém!

O Poder Superior interviu, e eu acabei transformando me em um João Alguém...

Um João Alguém cheio de esperança e fé na vida; Um João Alguém com o mais profundo desejo de ser um ser humano melhor;
Um João Alguém que finalmente reconhece a própria pequenez, bem como a infinita grandeza de um Poder Superior, conforme ele o concebe.

O doente da alma,  de olhar vazio e sem esperança é o mesmo João Alguém que acabou de escrever, na esperança, quem sabe, de encontrar eco nos corações de tantos maravilhosos e sofridos Joões que andam por ai, desencantados com a arte de viver. 

Coisas das Salas de 12 Passos  e seu programa de vida, onde todo e qualquer João é recebido com acolhimento e muito carinho.

Meu nome é Anônimo, sou Alguém, mas se quiser, pode me chamar simplesmente de João, ou ainda Joãozinho, este menino travesso que mora em mim, e a quem eu venho educando a fim de ser cada dia mais feliz, por tanto que eu o amo, pois a dor que mais dói não é a minha anônima dor, mas tão somente aquela que não consigo compartilhar com os demais.

Do Joãozinho que habita em mim, do mais profundo do meu coração... Muita Paz e Serenidade para você,  Joãozinho Anônimo, que quem sabe, habita também no coração sofrido de tantos outros.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A Varinha de Guaximba, ou A Autoridade da Costureira, ou ainda Sábia, Sabiá, Sabia

A Chama da Vida

O Marido, a Mulher, o Rio e a Calça