É tudo tão concreto
Estou trabalhando na Cidade do Rio de Janeiro, esta é a vista da minha janela. Consigo por ela observar um pedacinho do céu, tão lindo é o céu. Nem praia, nem bondinho, nem pão de açúcar, nem floresta da Tijuca, nem Maracanã, nem Quinta da Boa Vista, nem Morro da Mangueira, como é lindo o Morro da Mangueira, nem nada.... Uma visão apenas de uma montanha de concreto, concreto por todos os lados .É como se fossem gaiolas, um montão de gaiolas. A minha gaiola é a 1201, a do meu vizinho é a 1202, tem gaiola para o médico, o advogado, o engenheiro, o contador, o funcionário público, o banqueiro, tem gaiola em cima, gaiola embaixo, gaiola ao lado, gaiola em frente, gaiola atrás, gaiolas e gaiolas. Estou louco de vontade de dar uma fugidinha da gaiola, ir lá embaixo, observar as árvores, as pessoas, o céu, o sol, a brisa... Que vontade de fugir da gaiola, mas agora não posso, tem telefone na gaiola, e o telefone não vai demorar para tocar, pode ser também que um outro engaiolado bata na porta, minha gaiola tem porta também. São tantos os que vivem nas gaiolas, que acho que não se dão conta, acostumaram-se com a prisão, com o cinza, com a falta do ar, do verde, do sol... Não consigo ver as árvores preso na gaiola, os pássaros não passam por aqui, ouço apenas o ruído que vem das ruas, ruídos urbanos, ruídos humanos. Não tenho do que me queixar, quando vou ficando cansado da prisão de concreto, olho para cima e observo um pedacinho do céu, como é bonito o céu. É tudo tão concreto.
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