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Dongo Vivencia a Ira do Grande Gato Almirante

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Era uma vez um camundongo chamado  Dongo , o mais incomum dos camundongos ; num certo dia, enquanto caminhava pelo grande navio  — para Dongo o mundo era um grande navio  —, Dongo avistou em um canto o velho monte de sucatas  — aquilo já estava ali há muito tempo  — , e Dongo achava que não era problema dele.  Naquele momento o grande Gato Almirante  —  um gato angorá senhor de toda a vida e todo o navio  —,    que estava pelas proximidades, dirigiu-se a Dongo de forma direta e imperativa,  delegando a ele uma tarefa: "Dongo, hoje alguém virá aqui pesar e levar todo este ferro-velho, e o valor combinado foi de X Cruzeiros por quilo; preste contas para mim no final do dia!"   —  os gatos angorás não falavam, eles ditavam! O camundongo Dongo tinha pelo grande Gato Almirante um sentimento de profundo respeito e veneração  — Dongo amava aquele grande Gato ; seu coração disparou, ele precisava realizar aquela...

Dongo e o Grande Gato Amirante

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Era uma vez um camundongo chamado Dongo , o mais incomum dos camundongos; Dongo sofria de codependência, e neste estado de alma, via-se como um camundongo  —   Dongo era um homem  — , bem como todos os seus semelhantes como gatos.  Dongo convivia com os gatos, porém, como é natural, tinha medo deles  —  os camundongos temem os gatos. No universo de Dongo, o mundo era um grande navio que singrava diariamente os mares da vida — escuros e tenebrosos mares. Havia um grande problema na vida de Dongo com relação aos gatos: Os gatos angorás  —  Dongo não suportava os angorás. Na relação de Dongo com estes gatos o seu medo era patente; neste convívio, Dongo era efetivamente a presa  —  um camundongo  —    e os angorás eram, de fato,  os cruéis predadores  —  os gatos . Havia no navio onde Dongo vivia um almirante, responsável e senhor absoluto de toda aquela embarcação e pela vida de t...

A Jabuticabeira do Agricultor Sebastião

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Naquele domingo de primavera pela manhã, o Agricultor Urbano andava pela mata, juntamente com os seus inseparáveis vira latas, providenciando terra para encher os saquinhos para as próximas árvores.  Instantes depois, estava ele frente a frente com uma visão celestial: Uma jabuticabeira toda carregada de frutos amadurecidos, um mar de bolotas pretas afixadas no tronco e galhos. A árvore  não havia sido plantada por ele, o responsável pela área onde crescia a planta  — um espaço público no meio do nada  —  já havia morrido. O céu era de um azul intenso, e o dia estava claro e cheio de luz solar.  O Agricultor Urbano ficou ali um bom tempo degustando aquelas frutas deliciosas, e então reparou que o mato estava tomando conta de tudo; viu inúmeros pés de café sufocados pelo capim inculto; bananeiras crescendo com dificuldade, árvores necessitando de poda, touceiras de canas queimadas ... Veio então à sua memória a imagem do homem que cuidava de tu...

Dongo e o Gato Simpático

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Era uma vez um camundongo chamado  Dongo , que em um dia de verão estava em uma longa fila, uma fila quase sem fim, aguardando a sua vez de comprar a carne. Naquela época havia uma crise, e de vez em quando alguns produtos sumiam dos mercados .  Dongo já estava naquela fila há horas, havia chegado bem cedo, mas muitos outros haviam chegado mais cedo ainda. Depois de mais ou menos umas três horas o camundongo Dongo, apesar do cansaço, foi sentindo uma certa alegria, pois, com o andar da fila, já conseguia observar lá na frente o objeto de sua missão, a tão desejada carne. Suas pernas doíam; ele já não aguentava mais ficar na fila, "Deus é grande", pensou Dongo, e finalmente lá pelas onze horas da manhã havia chegado a sua vez. Olhou uma última vez para trás e aquela fila perdia-se naquele imenso corredor, era impossível descobrir quem era o último, "coitado do último"  —  pensou Dongo.  Então, do nada, como se estivesse vindo do espaço sideral, apareceu...

O Décimo Passo é uma Tijolada no Velho Ego

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"Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente"; é este o enunciado do Passo 10 — o Passo da consciência.  Mas eu estava certo — o ego está sempre certo —, e além de estar certo, estava com raiva, com muita raiva — raiva velha, apodrecida e congelada. Estava enfurecido com a vida, sentindo-me uma grande vítima de circunstâncias cósmicas desconhecidas — assim falam alguns —, e além de tudo isto, sem nenhum poder para controlar aquela situação — o meu ego adora controlar tudo. Já eram muitas 24 horas na sala, eram muitas 24 horas de paz e serenidade, eram muitas 24 horas de recuperação, quase uma era, enfim — o ego gosta de falar e escrever sobre coisas bonitas —, contudo, alguns demônios — humanos demônios —, continuavam desestabilizando toda a minha estrutura de recuperação, minha casa emocional — seria uma casa construída na areia?  Então eu comecei a Pedir ao Poder Superior ajuda, e comecei a fazer para ele...

O Camundongo Dongo e as Moedas da Grande Gata

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Era uma vez um camundongo chamado Dongo , que certa vez recebeu de sua mãe, a Grande Gata, a incumbência de ir ao armazém comprar algumas coisas. Naquele tempo o dinheiro na casa de Dongo era algo muito raro e valioso  —   havia uma crise  — , e então Dongo ouviu de sua mãe: "Leve as moedas com você Dongo, e cuidado para não perdê-las pelo caminho, pois elas estão contadinhas  em suas mãos". Dongo ouviu tudo com muito atenção. Dongo amava a grande Gata; saiu então rua abaixo com espírito de devoção, em direção ao armazém, com as contadinhas moedas nas mãos; de vez em quando, Dongo dava uma paradinha e contava as moedas para verificar se havia perdido algumas delas  —  aquilo era compulsivo  —;  ele sabia que não havia perdido nada, mas contava mesmo assim. A estradinha que levava ao armazém era de chão, com muito mato em volta, e no meio do trilho Dongo caminhava determinadamente em direção ao seu destino. Depois de alguns instant...

Passos de Homens, Passos do Poder Superior

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Eu achava que com a minha frequência às reuniões de 12 Passos eu daria conta de minha recuperação; tudo não passaria de uma questão de passos. O tempo passou, e a recuperação, como eu havia imaginado, não havia chegado. Eu já era quase um catedrático nos passos e tradições, já coordenava reuniões com os olhos fechados, conhecia os lemas, prestava serviço, abria e fechava as salas... Tive períodos de grande crescimento espiritual, e via-me trafegando por uma estrada bem pavimentada, em direção à casa de meu Poder Superior; a partir deste ponto, tudo seria apenas uma questão de tempo, a recuperação estava ali no horizonte, já ao alcance de meus olhos, apenas alguns poucos passos mais. Houve então um tempo em que a estrada pavimentada chegou ao fim, e eu passei a trafegar por um imenso deserto, onde o meu caminhar espiritual era lento, muito lento, quase nulo, e eu não mais conseguia observar ao longe o horizonte da recuperação  — o orgulho é cego. Nestes dias de d...