O Amor é Verde Olívia
Lá se vão quase 40 anos, mas a doce lembrança continua viva dentro mim; de vez em quando ela — a lembrança — faz uma visitinha, e então vem o quadro do prato com arroz, feijão, bife e uma salada de alface retocada de tomates vermelhinhos. Por trás daquele prato saboroso — o amor é o melhor tempero do mundo — uma senhora sorridente e, obviamente amorosa, uma inesquecível senhora.
Morava longe de minha terra natal, de minha mãe, de minha gente, estava agora na capital dos cariocas tecendo os novos fios de minha vida, tudo era ainda muito estranho, as grandes cidades costumam assustar muito os forasteiros do interior. Nesta época, fazia um curso de especialização em informática na PUC Rio que era, e creio que ainda seja, muito rigorosa, e aqueles que não se aplicassem nos estudos não tinham a menor possibilidade de conseguirem o tão sonhado certificado de conclusão.
Na PUC, sob um pé de tamarindo, conheci o filho da inesquecível senhora, e através dele consegui o meu primeiro trabalho com carteira assinada, e desde aquele primeiro dia nasceu entre nós uma amizade que persiste tempo adentro - as amizades são eternas.
Por conta da necessidade de estudo extra, e como ambos morávamos em Niterói naquela época, passei a frequentar a casa do meu amigo a fim de colocarmos a matéria em dia. Terminado os estudos, era gentilmente convidado para o jantar, e então naquela casa do Fonseca sentia-me como se estivesse na casa de minha própria e amada mãe, por tanta simplicidade e amorosidade que encontrava ali.
O tempo passou — como passa depressa o tempo de viver —, estou agora arrumando as malas para ir ao casamento do filho do meu amigo, neto daquela maravilhosa e sorridente senhora que marcou para sempre o meu coração com aquela salada de alface tão verde, mas afinal de contas o segredo destas lembranças tão caras ao meu coração residem simplesmente no verde daquele alface? Não, claro que não... o segredo não estava no verde do alface, pois na casa do meu amigo o amor, que de tão intenso, era mesmo o verde Olívia, a inesquecível senhora — tão acolhedora quanto minha própria mãe —, por quem eu sinto um eterno sentimento de gratidão.
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