As Mãos que Fecundam o Solo
O auditório estava lotado e muitos discursaram, afinal de contas não era sempre que alguém reflorestava solitariamente uma praça inteira, trazendo de volta as árvores, os pássaros, os insetos, as crianças, os atletas, os botânicos, os biólogos, os casais de namorados...
Naquele dia o Agricultor Urbano deixou de ser invisível, era ele o convidado de honra, e muito foi falado sobre o seu grandioso e anônimo trabalho de reflorestamento das praças públicas municipais. Discursou o prefeito, falou o secretário de meio ambiente, falou o presidente da associação de moradores do bairro, falaram alguns vereadores, falaram autoridades civis, militares e eclesiásticas...
Depois de muito falatório, finalmente passaram a palavra para o Agricultor Urbano — um homem de poucas palavras; sem muitos comentários agradeceu a todos pela homenagem, dizendo que praças degradadas como aquela existiam às dezenas cidade afora, e que o trabalho de replantio de árvores nestes locais era uma iniciativa que trazia muito bem estar para todo o município — foi aplaudido por todos.
Na manhã seguinte, por volta das seis horas da manhã — O Agricultor Urbano era sempre muito pontual —, os transeuntes que passaram pela aludida praça observaram a cena de sempre: O Agricultor Urbano solitária e anonimamente plantando suas amadas árvores na permanente companhia de seus inseparáveis vira latas, tudo sem pompa, sem autoridades, sem honrarias, sem aplausos...
"Existe uma elevada distância entre as mãos que somente aplaudem e as mãos que agem", refletiu o Agricultor enquanto plantava um ipê roxo com suas mãos calejadas de tanto fecundar o solo.
Muito importante meu querido, o que vc aponta aqui. Os que falam, por melhor que sejam suas intenções ou não, e os que fazem. Plantios e recuperação da Natureza sao *ações*. Palavras, o vento leva! Parabéns mano!❤👋❤👋❤
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